Diante do quadro que vem se desenhando nos últimos dias, com grande parte dos deputados envolvidos em denuncias da Lava Jato e acuados pela pressão popular, o governo federal corre para, de alguma maneira, tentar evitar uma derrota no plenário da Câmara, sob pena de ver fracassadas suas reformas e sepultadas as chances de um governo bem sucedido.

Na reta final da apresentação do parecer do relator da reforma da Previdência na Câmara, Arthur Maia, o governo resolveu escancarar e mandou destravar as nomeações de cargos para a base aliada em troca de votos favoráveis a reforma da Previdência. É o chamado liberou geral da compra de votos! São cargos que vão desde a Polícia Rodoviária Federal, passando pela Aneel e Anatel, sem deixar de fora a Nuclep, estatal que fabrica equipamentos para o submarino nuclear da Marinha e a usina de Angra 3. Tudo isso para contentar a base aliada e tentar reverter o placar da votação da reforma da Previdência na Câmara.

Levantamento realizado pelo Grupo Estado com deputados a respeito de reforma que tramita na Câmara mostra que o número de parlamentares contrários à proposta continua em 275, enquanto o dos que são a favor, foi mantido em 101. Na manhã desta terça-feira, 18, havia 35 indecisos; 64 não quiseram responder; 36 não foram encontrados, e um disse que deve se abster.

"O bom dessa história, é saber que o governo continua lançando mão de manobras escusas para comprar votos contrários ao bem-estar da população. Todos sabem que essa reforma da Previdência só tem o único objetivo de acabar com a aposentadoria no Brasil. É lógico que fica a critério de cada parlamentar se vender ou não. Mas, a lógica recomenda cautela, pois o preço a ser pago passa pelas urnas em 2018. Querem arriscar?", pergunta Canindé Pegado, presidente do SINCAB.

O presidente Michel Temer determinou a auxiliares que destravem nomeações de cargos no governo para cerca de 40 deputados da base aliada em troca de votos favoráveis à reforma da Previdência.

Líderes e articuladores políticos do Planalto identificaram que esses parlamentares, contrários ao projeto, fizeram indicações para órgãos do governo e ainda não foram atendidos. O governo crê que a liberação das nomeações possa ajudar a garantir os votos.

O Planalto já começou a desbloquear indicações, por exemplo, para a Polícia Rodoviária Federal, vinculada ao Ministério da Justiça. Ainda há, no entanto, pendências nas estruturas estaduais de órgãos como a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).

O governo quer solucionar impasse nas indicações para a cúpula da Nuclep ""estatal que fabrica equipamentos para o submarino nuclear da Marinha e a usina de Angra 3.

As indicações foram feitas pelos deputados Alexandre Valle (PR-RJ), Aureo (SD-RJ) e Celso Pansera (PMDB-RJ).

O deputado do PR e o líder do Solidariedade integram a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Previdência Social na Câmara, contrária à proposta do governo.

Auxiliares de Temer avaliam haver necessidade de dar mais atenção ao chamado "baixo clero", grupo de deputados de menor expressão, já que as cúpulas dos partidos já foram contempladas.

 

TRAIDORES

Além disso, o governo age em outras frentes para atrair votos favoráveis em plenário: tem cobrado empenho de ministros em suas bancadas, ameaçou cortar cargos de "traidores" e condicionou ao apoio no Congresso a liberação de mais emendas para parlamentares abastecerem suas bases eleitorais.

Como se trata de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição), o governo precisa de um mínimo de 308 votos para aprovar a reforma da Previdência, embora tenha como meta chegar a 340.

O Planalto contabiliza 411 parlamentares em sua base na Câmara, mas tem enfrentado forte resistência, mesmo nas bancadas de partidos aliados, ao texto da reforma.

Para dar sinalização positiva ao mercado e mostrar que não sofreu grande abalo com os desdobramentos da Lava Jato, o governo trabalha para obter placar robusto em duas votações previstas para esta semana na Câmara: a renegociação da dívida dos Estados e a urgência para votação da reforma trabalhista.

Temer receberá deputados em café da manhã nesta terça (18) no Alvorada, para que o relator da reforma da Previdência na Câmara, Arthur Maia (PPS-BA), apresente seu parecer. O texto será lido horas depois na comissão especial sobre o assunto na Casa.

 

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