Com mais de 14 milhões de trabalhadores desempregados em todo o país, não resta outra saída para as empresas a não ser usar de alternativas como layoff, PDVs e PPEs para não aumentar ainda mais as demissões em todo o Brasil. Foi essa a alternativa encontrada pela General Motors de São José dos Campos.

Após registrar queda nas vendas de 2,4% de janeiro a abril deste ano, sobre o mesmo período de 2016, a empresa vai lançar um layoff para até 1.500 funcionários e mais três meses de estabilidade no emprego para todos os trabalhadores da montadora. Esse foi o acordo firmado com o Sindicato dos Metalúrgicos. Os funcionários terão seu contrato de trabalho suspenso por cinco meses, de junho a novembro, e receberão salários nesse período.

Com a economia do país cada vez mais combalida e sem mostrar sinais de recuperação, o país atravessa a trancos e barrancos uma das maiores crises de toda sua história. Milhares de empresas continuam fechando as portas todos os dias e demitindo em escala assustadora. Os indicadores econômicos falam de uma recuperação a longo prazo que deverá começar no segundo semestre de 2017. Até lá continuaremos a ouvir discursos ensaiados e repetidos do governo sobre o país estar no caminho certo e que já existe sinais de recuperação.

Enquanto a crise se desenrola e assusta a todos, o governo de Michel Temer tenta salvar sua pele tentando aprovar reformas que atingem diretamente a classe trabalhadora brasileira, retirando direitos adquiridos no passado. São reformas que beneficiam somente os setores mais organizados do funcionalismo público e da elite política e empresarial do país.

"É sem dúvida nenhuma uma situação complicadíssima para um setor industrial que mais gera empregos para a economia do Estado de São Paulo. São muitas as empresas com a produção paradas a espera de uma reação do mercado consumidor, que na outra ponta sofre com o desemprego crescente, renda em queda e crédito escasso. É por esse motivo que no dia 24, vamos ocupar Brasília contra as reformas trabalhistas e da previdência, além de mais empregos para os trabalhadores", avisa Canindé Pegado, presidente do SINCAB.

Em assembléia na tarde desta terça-feira, 16, os metalúrgicos da General Motors de São José dos Campos aprovaram o layoff para até 1.500 trabalhadores e mais três meses de estabilidade no emprego para todos os funcionários da montadora.

Os funcionários terão seu contrato de trabalho suspenso por cinco meses, de junho a novembro, e receberão salários nesse período.

O acordo levou três meses de negociação, de acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos, e diversas reuniões, inclusive na Justiça do Trabalho, em Campinas.

Os trabalhadores afastados sairão de licença de 5 de junho a 4 de novembro e receberão o salário integralmente, sendo parte paga pela montadora e parte pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), do Governo Federal.

A estabilidade aos trabalhadores está garantida até fevereiro de 2018. De acordo com a entidade, "foi uma importante conquista dos trabalhadores, já que a empresa vinha se recusando a acatar a reivindicação do Sindicato".

Na planta de São José dos Campos a montadora emprega cerca de 5 mil trabalhadores e produz os modelos S10 e Trailblazer, além de motores e sistema de transmissão.

Ainda no acordo, há previsão de abertura de um Programa de Demissão Voluntária (PDV). Segundo a General Motors, a unidade tem hoje cerca de 1700 trabalhadores excedentes em sua produção devido a retração do mercado. A montadora não comentou o resultado da assembléia.

Para esta semana está prevista uma reunião na Associação Comercial de São José dos Campos entre sindicalistas, empresários e o poder público para reivindicar da GM o investimento de R$ 2,5 bi para a planta, prometido em acordo entre a montadora e os trabalhadores em 2013, segundo informou a entidade que representa os metalúrgicos.

 

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