Muito embora o Ministério da Fazenda não queira comentar a análise feita pela Organização Mundial do Comércio (OMC) em relação a nossa economia, como já se sabe o Brasil foi impactado por uma recessão profunda que começou desde 2014 e continua fazendo estragos na economia até hoje. De lá para cá milhões de brasileiros perderam seus empregos, a renda caiu, a indústria está definhando, o comércio e serviços quebraram e estão fechando as portas. É um cenário desolador para um país gigante, cheio de riquezas naturais e um povo trabalhador.

"Mas por trás desse caos, as razões para o que estamos vivendo foram se construindo ao longo de décadas de desmandos na política e na falta de gerenciamento dos governos que se sucederam. O Brasil não fez a lição de casa e durante todos esses anos não investiu em infraestrutura para dar um salto rumo ao desenvolvimento e criação de novos empregos. Ao contrário, criou condições para o enriquecimento ilícito de políticos desonestos que se aproveitaram do voto popular para roubar o patrimônio público e levar à nação a precariedade que se encontra. Vamos precisar de muita paciência e muito suor do trabalhador para, bem devagar, ultrapassar a crise política nefasta que temos hoje e trazer de volta um PIB do tamanho de nossa grandeza", analisa Canindé Pegado, presidente do SINCAB.

A Organização Mundial do Comércio (OMC) divulgou, nesta segunda-feira (17), um relatório em que afirma que a economia brasileira terá uma recuperação gradual em 2017, mas o crescimento será fraco por um período prolongado. Com base na análise, incerteza política e desequilíbrios fiscais estão entre os fatores que tornam a economia brasileira mais vulnerável.

“Apesar dos fundamentos econômicos sólidos, os riscos negativos para a perspectiva econômica permanecem. A economia continua vulnerável a uma intensificação da incerteza política, bem como a atrasos na resolução dos desequilíbrios fiscais”, afirma a OMC .

Ainda de acordo com a organização, um crescimento sustentável depende da implementação de reformas estruturais em várias áreas. O crescimento da economia também depende do fechamento de gargalos de infraestrutura e da solução de questões trabalhistas e previdenciárias. “Essas reformas podem aumentar a resiliência da economia brasileira”, diz o documento.

As projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) apontadas no relatório indicam que o Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no país) deverá crescer 0,5% neste ano, 1,5% em 2018 e 2% entre 2019 e 2021. A inflação deve ficar em 6,1% em 2018 e estabilizar em cerca de 5% depois disso, segundo o documento. O Conselho Monetário Nacional (CMN) definiu a meta de inflação em 4,5% para 2018, 4,25% para 2019 e de 4% para 2020, com intervalo de tolerância é 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Para a organização, o Brasil entrou em uma severa recessão em 2015 e 2016, desencadeada pela deterioração das relações comerciais e exacerbada pela incerteza política. A queda no PIB foi acompanhada pelo aumento da inflação e do desemprego. Embora o sistema financeiro brasileiro não tenha sido significativamente impactado pela desaceleração econômica, o crédito doméstico tornou-se mais cauteloso e a demanda por empréstimos diminuiu, segundo o relatório. O Ministério da Fazenda disse que não vai comentar o relatório.

 

Criação de empregos

Uma das questões que podem indicar a recuperação gradual citada pela OMC é o crescimento dos postos de trabalho. Em junho, o Brasil registrou a criação de 9.821 vagas de emprego, o que representa variação positiva de 0,03% na comparação com maio. Foi a terceira expansão consecutiva e a quarta registrada este ano, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

 

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