Ter um país forte e produtivo, onde exista fartura de comida e as oportunidades sejam iguais para todas as pessoas, que elas se sintam felizes e protegidas, parece ser um sonho de muitos brasileiros. Mas no Brasil a questão é bem diferente do almejado. A ONU realizou em abril uma pesquisa junto com o IBOPE e constatou que a erradicação da pobreza e a fome e garantir saúde e educação de qualidade são as ações mais citadas por brasileiros quando questionados sobre o que traria mais benefícios ao país.

"A questão primordial é que com um país mergulhado numa recessão brutal, um desemprego recorde e uma crise fiscal extraordinária deverá demorar ainda um bom tempo para voltarmos a crescer e gerar um PIB de qualidade. Ao longo dos últimos quatro anos temos enfrentado uma agonia sem fim na economia. Fábricas foram embora do país, lojas encolheram ou fecharam as portas e o setor de serviços está minguando cada vez mais. Convivemos também com inflação alta, crédito escasso e juros altos. Se não bastasse, a política se sobressaiu e trouxe a tona os escândalos elaborados e executados por deputados, senadores e empresários. Nossos parlamentares se aproveitaram do voto popular para roubar o patrimônio público e levar à nação a precariedade que se encontra. Portanto, vamos precisar de muita paciência para, bem devagar, ultrapassar as crises nefastas que temos hoje e trazer de volta um PIB do tamanho de nossa grandeza", explica Canindé Pegado, presidente do SINCAB.

Erradicar a pobreza e a fome e garantir saúde e educação de qualidade são as ações mais citadas por brasileiros quando questionados sobre o que traria mais benefícios ao país. A pesquisa, realizada pela ONU em parceria com o Ibope, entrevistou 2.002 maiores de 16 anos em 143 municípios brasileiros no mês de abril. O objetivo era levantar a percepção da população sobre os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) contratados em 2015 pelos países signatários das Nações Unidas, a chamada Agenda 2030. Na semana passada, reportagem publicada pelo O GLOBO mostrou que dois esses objetivos, a erradicação da pobreza e da fome, estão ameaçados devido ao desemprego recorde, a crise fiscal e à recessão que impede a economia de voltar a crescer. O alerta é de relatório elaborado por mais de 40 entidades da sociedade civil, entregue à ONU recentemente.

— Entendemos que os brasileiros elegeram essas prioridades porque são questões sociais importantes, porque fazem parte de suas experiências, seja profissional ou de vida e sobre o que ela está vivendo nesse momento, mas também porque fazem parte da agenda das Nações Unidas — explicou Haroldo Machado Filho, co presidente do grupo Assessor do Sistema ONU no Brasil sobre a Agenda 2030, complementando que, para a ONU, todos esses temas são igualmente importantes porque a ideia é que o desenvolvimento sustentável pleno só acontecerá se todos os 17 objetivos caminharem em igualdade:

— Dizemos que são objetivos integrados e indivisíveis — complementou. Além dos cinco ODS já citados, a Agenda 2030 ainda engloba compromissos acerca do alcance da igualdade entre homens e mulheres, a garantia ao acesso à água e saneamento, à energia elétrica, apoio à infraestrutura de qualidade, industrialização sustentável e inovação, tonar as cidades sustentáveis, promover padrões sustentáveis de produção de consumo, implementar ações para combater a mudança do clima, proteger e recuperar os riso e oceanos, recuperar terras e florestas, promover a paz, proporcionar acesso à justiça e fortalecer as parcerias entre países para promover ações sustentáveis.

 

Garantir saúde de qualidade foi citada por 35% dos entrevistados, seguido de acabar com a pobreza (33%), depois garantir educação de qualidade (31%), garantir emprego e condições adequadas de trabalho (26%) e em quinto acabar com a fome e desnutrição e promover a agricultura sustentável (24%). A redução das desigualdades também se destacou. Foi citada como prioritária para trazer benefícios para o país por 19% dos entrevistados.

E, para a maior parte dos pesquisados é responsabilidade do estado fazer com que esses objetivos sejam cumpridos. O governo federal foi citado como responsável por 51% dos entrevistados, os governos estaduais por 46% e as prefeituras por 33%. Em seguida, empatadas, foram citadas a iniciativa privada e as instituições acadêmicas, ambas citadas por 14% dos entrevistados. Somente 4% dos entrevistados respondeu que a maior responsabilidade pela implementação dos ODS seria da própria população.

— Queremos reverter no futuro essa questão de baixa participação. O futuro é de todos, então, as pessoas precisam se apropriar dele e se envolver nessa construção. O voluntariado ainda é pouco praticado no Brasil. Uma pessoa formada em faculdade pode dar aula em escolas públicas gratuitamente, pode ser mentor. O brasileiro é bastante solidário mas faz pouca atividade voluntária — avaliou o co presidente do grupo Assessor do Sistema ONU no Brasil sobre a Agenda 2030.

 

A pesquisa captou, ainda, que quase metade das pessoas desconheciam os objetivos (49%), enquanto 51% já tinha ouvido falar ou tinha algum ou bastante conhecimento sobre o assunto (51%).

— É aquela coisa de enxergar ou o copo meio cheio ou meio vazio. Nós vemos o copo meio cheio, pois os objetivos só têm dois anos. Pensamos até que seria maior a porcentagem de pessoas que desconheciam os ODS — completou Machado Filho.

 

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