A ordem é empurrar com a barriga o quanto puder. Assim vem acontecendo com milhões de brasileiros que precisam consumir, mas não tem dinheiro suficiente na mão para gastos corriqueiros. A saída encontrada por muitos são os cartões de crédito ou débito, que trazem a segurança para o cidadão e estica o pagamento pra frente.

"A prática tem se tornado muito comum entre os brasileiros, tendo em vista a situação recessiva que tomou conta do país e provocou o desemprego e a queda de renda dos trabalhadores. Somos 14 milhões de desempregados e é natural que as pessoas, que ainda tem alguma renda, procurem um meio de postergar seus pagamentos para ganharem algum fôlego nestes tempos difíceis e de escassez de dinheiro", ressalta Canindé Pegado, presidente do SINCAB.

O brasileiro tem jogado para frente, o máximo que pode, o pagamento de suas despesas e um percentual considerado pequeno prefere pagar suas contas em dinheiro aos invés de utilizar outros meios, como cartões de débito e de crédito. É o que mostra a pesquisa “Comportamento do consumidor em relação às formas de pagamento”, do Procon Paraná, realizada entre os dias 8 e 9 de junho, divulgada com exclusividade para O GLOBO. Coordenadora do estudo, Claudia Silvano disse que o levantamento foi feito por conta da lei que permite preços diferenciados dependendo da forma de pagamento utilizada e serviria para mostrar se houve alguma mudança no comportamento do consumidor a partir da decretação das novas regras.

Os números apontam que, entre os com 865 consumidores, cerca de 85% disse utilizar cartão de débito, enquanto 77,8% fazem uso do cartão de crédito. Embora a justificativa da lei seja possibilitar que se pague um valor menor quando se quita a despesa em dinheiro, apenas 12,1% dos respondentes disseram fazer esta opção quando o fornecedor ou lojista aceita mais de uma forma de pagamento. A maioria ainda prefere pagar com o cartão de débito (45,7%) ou de crédito (41,7%). Apenas 0,5% ainda faz uso do cheque.

Ao justificarem o uso do cartão de débito, 67,8% afirmaram ser pela praticidade; 34% por segurança, e 3,4% pelos benefícios oferecidos pelo seu banco, como descontos em tarifas, milhagem, entre outros. No caso do de crédito, 53,9% afirmaram fazer esta opção devido à possibilidade de pagamento posterior, enquanto 33,5% afirmam que o principal motivo são os benefícios oferecidos pelo seu banco:

— Este foi um dos primeiros dados interessante da pesquisa. A justificativa por optar pelo cartão de crédito é de que usa hoje e joga o pagamento lá para frente, muito mais do que por segurança ou praticidade. Temos consciência de que o consumidor vai continuar lançando mão do cartão de crédito por inúmeras razões, e uma delas é porque não tem dinheiro agora e pode pagar depois.

 

Quando questionados sobre se tinham conhecimento sobre as taxas cobradas nas compras com cartão de crédito ou débito, 75,7% disseram que sim, e a maioria dos entrevistados (53,5%) admitiram conhecer as novas regras que permitem a cobrança diferenciada de preços.

Embora a nova lei permita que o fornecedor dê descontos para o pagamento em dinheiro, 51,6% disseram pechinchar quando pagam à vista, com dinheiro vivo. No entanto, entre aqueles que admitiram algumas vezes ou quase nunca pedirem o desconto, 36,2% disseram que não o faziam por achar constrangedor ficar pechinchando.

— Não temos o hábito de pedir desconto porque temos vergonha. Mas temos que mudar esta cultura: se podemos pagar menos em dinheiro, vamos pechinchar. Temos que ter consciência que não é vergonhoso. Não falo da pechincha de grandes valores, mas da comprinha do dia a dia mesmo. Vamos fazer valer nosso direito — ressalta Claudia Silvano.

 

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