Mesmo com os inúmeros esforços do governo em querer baixar os, astronômicos juros da economia, como foi o corte de 1% na taxa Selic nesta quarta-feira (26) promovido pelo Banco central, ainda assim eles resistem e ultrapassam a barreira do suportável, atrapalhando a economia e sufocando o consumo, emprego e a renda do trabalhador. Somente no Brasil existe tamanha aberração. Cartão de crédito com juro de 378,3% ao ano.

"Num momento de crise em que o país precisa de taxas de juros baixas para incentivar o consumo, fazer girar a economia e gerar empregos, empresas de cartão de crédito e empréstimos pessoais andam na contramão e cobram juros exorbitantes em cima do consumidor. Essa é uma posição de não alinhamento com a política econômica do governo, que acaba por dificultar o acesso ao crédito e alimentar maiores índices de inadimplência. São empresários inescrupulosos, sempre na busca por mais lucro. É preciso acabar de vez com o monstro dos juros altos, pois do contrário não sairemos da lama que nos encontramos e não haverá crescimento econômico", declara Canindé Pegado, presidente do SINCAB.

No terceiro mês com as novas regras para o crédito rotativo do cartão, as taxas de juros da modalidade voltaram a crescer e atingiram o patamar 378,3% ao ano, informou nesta quinta-feira o Banco Central. Em maio, a taxa era de 377,3% ao ano.

Desde o dia 3 de abril deste ano ninguém pode ficar mais de 30 dias no crédito rotativo do cartão, por determinação do Banco Central. Pelas novas regras, se na data do vencimento o cliente não tiver feito o pagamento total do valor da fatura, o restante terá que ser parcelado ou quitado.

Apesar do aumento da taxa em junho, os juros do rotativo do cartão caíram ao longo dos últimos meses. No ano, o juro do rotativo recuou 119,4 pontos percentuais. Em janeiro, a taxa de juros dessa modalidade estava em 497,5% ao ano.

Por outro lado, os juros cobrados para o crédito parcelado caíram no mês passado para 157,8% ao ano.

Quando os números dos juros do rotativo cartão de crédito são detalhados, é possível notar que caiu pela metade a taxa cobrada para o rotativo regular. Nessa modalidade, o cliente pagou ao menos 15% da fatura do cartão. Nesse caso, a taxa de juros ao ano saiu de 431,6% em março para 230,4% em junho.

Até mesmo para o rotativo do tipo não regular (quando o cliente não paga a fatura do cartão, e o valor fica para o mês seguinte), houve queda na taxa de juros anual. O valor saiu de 528,7% em março para 460,7% em junho.

 

CHEQUE ESPECIAL E EMPRÉSTIMO CONSIGNADO

Outra modalidade de crédito cara, a taxa média de juros do cheque especial, em junho, foi de 322,6% ao ano. Esse valor representa uma queda de 2,5 pontos percentuais na comparação com maio e 6 pontos percentuais desde o início deste ano.

Pelas altas taxas de juros, o rotativo do cartão e o cheque especial são as modalidades de crédito menos indicadas para os consumidores. As taxas dessas duas modalidades são menores que o crédito pessoal, seja consignado (quando o valor das parcelas do empréstimo é descontado do salário) ou não consignado.

Na modalidade de crédito pessoal não consignado, a taxa média de juros em junho foi de 125% ao ano (redução de 14,8 pontos percentuais no ano). Para os empréstimos consignados, as taxas de juros ao ano são ainda menores e fecharam junho em 25,8% para servidores públicos; 41,8% para trabalhadores do setor privado; e 27,8% para aposentados e pensionistas do INSS.

 

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