Que país é esse, onde se privilegia escolas de samba e não existe dinheiro para a saúde, educação, transporte, infraestrutura, salários e, sobretudo para fechar as contas públicas? Enquanto o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, massacra a população para fechar o caixa deste ano aumentando impostos, inclusive sobre os combustíveis, o presidente, Michel Temer, distribui quantias generosas para tentar reverter sua imagem desgastada perante a opinião pública.

"Tudo indica que o presidente sequer tem noção da realidade brasileira ou simplesmente brinca com a inteligência do povo. Denunciado por corrupção e rejeitado por 85% dos brasileiros, Michel Temer decidiu abrir os cofres federais e gastar bilhões em emendas parlamentares. Somente no mês de junho de 2017, Temer liberou 4,2 bilhões de reais, para deputados e senadores, elevando o acumulado no ano a cerca de 5,2 bilhões de reais. Agora o presidente autoriza o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, a socorrer as escolas de samba do Rio de Janeiro com 13 milhões de reais para o carnaval do ano que vem, quando o país atravessa uma das maiores crises econômicas de sua história. Cá para nós, só pode ser gozação!", desabafa Canindé Pegado, presidente do SINCAB.

A liberação de R$ 13 milhões para o desfile das escolas de samba do carnaval do Rio pode abrir uma nova crise entre o governo e a bancada do PMDB na Câmara. Inconformado com a ajuda do governo federal em meio à crise econômica atual, o deputado Newton Cardoso Jr. (PMDB-MG) reclama que há outras prioridades no País e alerta que a concessão às agremiações cariocas gera um desgaste com o eleitorado, o que pode levar deputados a votar a favor da denúncia contra o presidente Michel Temer, na próxima semana. Ele mesmo revelou que tendia a votar contra a denúncia, mas agora poderá rever seu posicionamento.

Diante da decisão da Prefeitura do Rio em reduzir em 50% os repasses ao desfile de 2018, o governo resolveu abrir os cofres. Apesar do prefeito Marcelo Crivella ter cortado R$ 6,5 milhões, o presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), Jorge Luiz Castanheira Alexandre, disse nesta terça-feira a Temer que eram necessários R$ 13 milhões para garantir o carnaval do ano que vem e saiu do Palácio do Planalto com a garantia de que o aporte será feito.

A concessão gerou revolta no grupo de WhatsApp do PMDB na Câmara. Cardoso Jr. e Lúcio Mosquini (RO) reclamaram da promessa de repasse ao carnaval carioca em detrimento de outras demandas consideradas mais urgentes por outros Estados. Houve ainda quem criticasse o sinal trocado do Palácio do Planalto de liberar recursos poucos dias após anunciar aumento de impostos sobre combustíveis para ajudar no fechamento das contas públicas.

Peemedebistas do Rio, por sua vez, rebateram as críticas. Segundo o Broadcast Político apurou, os deputados fluminenses Pedro Paulo e Laura Carneiro saíram em defesa do repasse. Deputado licenciado, o ministro dos Esportes, Leonardo Picciani, também defendeu a iniciativa do governo. Em tom de ironia, sugeriu a cobrança do ICMS no local de produção do petróleo, o que favorece diretamente o Rio, Estado considerado o maior produtor do óleo do Brasil. Hoje, o imposto é taxado no local de consumo.

Ao Broadcast Político, Cardoso disse que vai cobrar de Temer uma audiência para tratar de uma barragem inacabada na região do Alto Rio Pardo, interior de Minas Gerais, onde a população vive em condição permanente de seca. “Tem dinheiro para carnaval e não tem para isso? Desculpa, é uma falta de senso completo”, protestou. O deputado mineiro alega que “ninguém vai morrer” se o Rio de Janeiro ficar um ano sem carnaval. “Além de todas as denúncias e de todos os problemas, ainda tem de liberar dinheiro para farra? É muito difícil, é algo que beira o absurdo”, emendou.

Cardoso disse acreditar que a medida pode influenciar o voto de parlamentares na próxima semana, quando haverá a votação no plenário da Câmara da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR). Ele revelou que tendia a votar contra a denúncia, mas sinalizou que pode mudar seu voto. “Nossa avaliação acaba sendo muito influenciada por essas coisas também, a gente sofre muito com isso, pode até mudar nossa posição. Eu me sinto muito prejudicado por essas coisas que acontecem”, justificou.

Para o deputado, a liberação de recursos não poderia ter ocorrido “em hora pior” e que a medida deveria ter sido anunciada no fim do ano. Cardoso disse que não é contra o carnaval, reconheceu que é um evento importante para o turismo nacional, mas alegou que a festa não pode se resumir só ao Rio. “O Rio quer recuperar a imagem nacional, que recupere, mas não através do carnaval. Que recupere através de ações éticas e ações práticas de cuidar da saúde, da violência, e não fazer uma cortina de fumaça através do carnaval”, completou.

 

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